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Boas lembranças não se vão com o tempo...


Sinto falta das palavras
Da vida encantada e 
Da alegria causada.
Palavras em sintonia
Com a paixão.
No banco da praça.
Palavras ditas com emoção
Olhar para a lua crescente
Que saudava com seu brilho
A emoção despertada 
Por todos os sentidos
Das palavras.
Cumplicidade , afinidade
Esperança, 
Novas possibilidades.
Somente palavras!

[ Cármen Quadros - 26/06/12 ]

Imagem daqui


a memória carregada de lembranças, e uma saudade incomodativa...

Pintura de Richard S Johnson

Separação.

O pensamento insiste em lembrar; as conversas regadas pela emoção, da alegria radiante do reencontro inesperado, da esperança de um novo recomeço, da crença de que os amores genuínos resistem ao tempo e a distância.
Palavras escritas, promessas registradas, sonhos que encantaram a vida na primavera daquele ano.
Cumplicidade e sintonia foram cantiga de roda e as descobertas de tanto em comum enfeitavam o cotidiano.
E foi tanta alegria, verdade e sintonia que o mundo se encheu de graça para esse amor. Nada foi mais tenso e intenso. Finitude não se cogitava, somente juras de laços eternos. Até depois da vida.
No entanto, uma linha tênue divisa o encanto da realidade. Desconhecido é o avesso de cada um. O momento seguinte é descoberta.
Na memória, invadida por lembranças, o gosto do inesquecível.

Cármen Quadros
14/02/2013


A intensidade de um sonho bom



Aconteceu. 
E ela se fez bonita como há muito tempo não ousava ser,
vestiu-se dos sonhos mais lindos que havia guardado como alento.

Estava agora na maturidade, completa de cicatrizes de desencantos.
Arriscou uma nova possibilidade. 
Sentia a emoção, sufocada pelo sofrimento aflorar, ao emprestar voz à esperança 
de amar novamente. E ser acolhida...
E a paixão tomou conta de seus sentidos
fazendo avesso da realidade.

Perdeu a medida da emoção...
A vida ficou mais encantada, pura alegria.
Durou a intensidade de um sonho bom.

Tudo não passou de um equívoco. 
De palavras doces e atitudes controversas.
E aconteceu um novo descompasso entre o bem querer e o desejo.

[Carminha Quadros, 27/10/2012]

Imagem daqui

A poesia da medicina


Hoje vamos começar uma série de gotas autobiográficas, mulheres maravilhosas que fazem da sua profissão a poesia de viver. Elas irão descrever o modo como convivem com a profissão escolhida, além da paixão pela escrita. Começamos hoje com uma amiga com a qual tenho o privilégio de conviver por mais de 10 anos. Ela tem textos lindos publicados neste blog (para aqueles que ainda não leram, é só clicar aqui) e também é colaboradora e escritora no site Assédio Moral no Trabalho.

Com vocês, Cármen Quadros!



Minha paixão pelas letras remonta aos meus 10-11 anos de idade, quando descobri que escrever era uma forma de expressar dor e alegria, amor e a solidão. Essa descoberta auxiliou na transição da adolescência, possibilitando uma fase de muita criatividade poética. Aos 16 anos já publicava poemas no Jornal Correio do Sul de Bagé (RS), minha terra natal. Também produzi um livreto com meus poemas, intitulado Um Toque de Amor em 1975.

Diante da necessidade de escolher uma profissão estive em dúvida entre a Comunicação Social e a Medicina, e acabei optando pela complexa arte de cuidar da saúde das pessoas.
Estudei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, onde me formei em 1983. Fiz especialização em Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar em São Paulo e Auditoria Médica em Porto Alegre onde resido e trabalho desde 2000.

Ser médica é uma experiência das mais ricas em se tratando de autoconhecimento e de amor e solidariedade ao próximo. É um aprendizado constante das diversas manifestações da vida, das ameaças que a rondam permanentemente. É uma necessidade constante de busca pelo conhecimento técnico, é também o exercício diário do entendimento da nossa impotência diante dos mistérios da existência. É estar disponível para acolher, compreender e respeitar a dor das pessoas. É manter acesa a chama da vida através da esperança e fé mesmo que todos os recursos técnicos sejam contrários a essa premissa. É a prática permanente da ética.

Exercer a medicina exige compaixão e aceitação dos limites do humano.
Por muitos anos, venho escrevendo, mas com pouca regularidade. Sem planos ou compromissos a não ser com os meus sentimentos. Passei a escrever regularmente desde o inicio deste ano. Foi a forma encontrada para dar vazão aos sentimentos mais profundos e compartilhar o encanto que tenho pela vida. 

Escrever também é uma maneira de permanecer presente e vivo na memória dos outros, o que compensaria de certa maneira a imensa impotência diante da morte.

Finalizo agradecendo a Moça do Sonho pela oportunidade e cumprimentando-a pela iniciativa.

Cármen Quadros
21/10/2012

Para a amiga incondicional...


Pensei em escrever um poema para te homenagear, não sei por onde começar.
Vou deixar o pensamento livre para ditar os sentimentos e traduzir em palavras o que sinto.

Reflito então, sobre o que não tem valor mensurável: a vida humana.
Como agradecer a vida que me deste mais de uma vez, primeiro quando nasci e depois na fase adulta, quando necessitei da tua força, generosidade e valentia para me ajudar a renascer.
Como agradecer esse imenso amor que foi tão compreensivo ao me deixar seguir o rumo de estradas desconhecidas e distantes para me tornar adulta.

Foi a tua confiança no teu papel como mãe que fez com que eu me tornasse a pessoa que sou.
Andei por muitos caminhos, na imensa maioria do tempo, absolutamente sozinha , mas no pensamento foste a minha única e verdadeira companhia.

Foste a voz que acalentou a minha solidão, o ouvido que escutou por noites e dias os anseios, a dor e a minha alegria. 

Contigo aprendi a cultivar valores essenciais à dignidade humana e principalmente que o conhecimento é o maior bem que podemos ter, por que nos propicia liberdade e independência.
Agradeço a tua generosidade por me incentivar a ser mãe, mesmo contrariando todos os preceitos sociais e morais.

Foste a maior lição de amor quando ficaste a meu lado para me ajudar a sobreviver em momento de extrema delicadeza da tua vida familiar.

Também, ensinaste que vida é mais interessante com alegria e harmonia. Que na relação com o outro é necessário exercitar a paciência, compreensão e a generosidade.

Mãe, obrigada pela cumplicidade, amizade, acolhimento, continência, e alegria.
Saúde por mais 80 anos!
Feliz aniversário!
Tua filha,

Carminha Quadros - 26/09/12

imagem daqui

As janelas da minha vida.



Tenho uma certa atração por janelas, essas que iluminam as salas e os quartos das casas e que podem ser abertas ou fechadas de acordo com as nossas vontades. Penso que temos poder absoluto sobre as mesmas...

Tantas e muitas vezes observo a vida que passa lá fora e aqui dentro de mim, pelas janelas, sejam essas físicas ou da alma.

Olhar pela janela é distração e diversão. Também é abstração. É o encontro de companhia na solidão que eventualmente nos habita. É observação!

Já vi tantas vidas passarem pelas janelas na grande metrópole ou na cidade provinciana. Flagrantes da vida nos mais diversos horários. Assisti cenas de amores e de horrores, de alegria e dissabores.
Pude ver na madrugada fria mulheres e homens sozinhos nas ruas quase vazias e me espantei pela ousadia e coragem, em tempos de violência desmedida. 

Vi também o caminhar descompromissado das pessoas nas noites de verão.
As janelas permitem testemunhar os sentidos mais primitivos do humano e exercitar a solidariedade e a compaixão.

Debruçar- me na janela instiga a reflexão na busca da resposta para o encantamento que sinto por olhar a vida como expectadora.
Já estive a olhar pela janela as ruas, os jardins, as pessoas e suas diversas manifestações de existir.

Pelas janelas da alma, já derramei lágrimas pelo pensamento triste e assustado e ri solto para celebrar a vida.

Descobri que tenho atração e gosto pelas janelas da alma, da sala, do quarto, que permitem espiar a existência e acalmam a saudade e a solidão.

[Carminha Quadros -  21/07/12]

Imagem daqui

O que eu já sei...


Se soubesses... o quanto penso,
E converso e sorrio ,
Com meus pensamentos
Em ti!

Estás presente nas pequenas vivencias cotidianas
E desconheces...
Como serias mais feliz
Se pudesses reconhecer
A falta que fazemos
Um ao outro.

A vida teria ainda
Mais sentido aos nossos sentidos
A alegria ficaria escancarada
Como estampa desse encontro
Que por ser reencontro
Carrega significados...

Guiados pelo destino
Que ainda não conseguimos decifrar
Somente reconhecer
Em bem querer .

[Carminha Quadros -  28/05/12]

Imagem daqui

Felicidade, é.



Fiquei pensando um pouco sobre as agruras que a vida nos apresenta e que geralmente são fruto de nossas escolhas.
Acredito que perceber isso, é um avanço e talvez a possibilidade de ainda ser feliz.
Para ser feliz, é preciso tão pouco. É necessário ter prazer pelo simples e verdadeiro e acima de tudo estar em harmonia e sintonia com nossos pares. É criar a possibilidade de saborear arroz com feijão, com um fio de azeite de oliva, em um ambiente acolhedor e rir de prazer.

Ser feliz é saber compartilhar o que há de melhor em nós sem receios e com a certeza da reciprocidade
e também permitir que o destino conspire a nosso favor
e possibilite expectativas e perspectivas jamais esperadas, talvez, sonhadas.

Ser feliz é encontrar significados de afeto nos pequenos cuidados com o outro.
É também poder revelar-se.
E encontrar no outro a escuta atenta as nossas dores.

Ser feliz é poder vislumbrar outro momento de vida
mesmo, que para isso tenhamos que começar de novo
ou recomeçar!

Ser feliz é poder acreditar que merecemos uma chance de novas escolhas.
É partilhar o riso e o pranto,
é abrir o coração para reencontros com antigas paixões.

Ser feliz é poder ser cúmplice, respeitar e admirar o outro.
Enfim, ser feliz só depende do nosso querer ser!