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Aos 101 anos, esta mulher publicou seu primeiro livro de poesia


Ninguém, absolutamente ninguém, é “velho demais” para realizar os próprios sonhos. É o que nos ensina Sarah Yerkes que, aos 101 anos de idade, acaba de publicar o seu primeiro livro de poesias.

“Days of Blue and Flame” é o nome da obra de Sarah, que começou a escrever aos 90 anos, idade com que se formou, pasmem, na Escola de Graduação em Design da universidade de Harvard, trabalhando desde então como arquiteta e escultora.

Repleta de saúde, sobretudo desde de um ponto de vista mental e espiritual, Sarah é certamente um daqueles exemplos que eventualmente vemos serem divulgados em jornais e revistas, exemplo de alguém que não se deixou abalar pela passagem do tempo nem “entregou os pontos” por acreditar já ter passado da hora de ser ou fazer o que gostaria. Um exemplo, com toda certeza, a ser seguido.

“Eu realmente sinto como se as boas fadas estivessem acima do meu berço, dando-me coragem para criar”, disse Sarah ao jornal que a entrevistou sobre seu livro.

Fonte: GreenMe

Top 5 com dicas especiais pra você!



Boa tarde amigos!


Já conhecem o canal Elaíse Cidral Entre Histórias no You Tube? Hoje ela postou um vídeo indicando cinco livros para ler nas férias, um "Top 5 com dicas especiais". Já sou assinante do canal e fiquei surpresa e muito emocionada ao ver que o meu livro Onde vão parar os sonhos extraviados está entre os indicados! 





A Elaíse faz ótimas resenhas no canal, vale conferir!







'O Mundo de Sofia' em uma palavra - G E N I A L!


Não importa que o livro tenha sido publicado em  1991   e eu esteja escrevendo sobre ele só agora. É que assim como eu não havia lido antes, muita gente ainda não leu e consequentemente, não 'despertou'.

O despertador que geralmente fica ao lado da sua cama toca e  assim você acorda quase todos os dias, no modo automático. É sua rotina e nada altera isto até que sua mente acorde além dos seus próprios olhos. Quem acorda sua consciência não é o despertador comum, mas a filosofia. Para mim, os filósofos são os despertadores da consciência  do mundo.

Ler 'O mundo de Sofia' foi mais um divisor de águas na minha existência. Antes disso eu já observava e questionava a vida, o mundo e a natureza das coisas, mas não sabia que todos os meus questionamentos tiveram origem na filosofia, desde sempre. Acho que a principal lição é olhar e enxergar, porque simplesmente ver não basta. E isto vale para todas as coisas, desde o nosso próprio pensamento, até o vento desfolhando uma árvore. É como prestar mais atenção nos instrumentos que tocam além da voz de quem canta uma música. É o mesmo que olhar o mar e sentir ao mesmo tempo a areia nos pés, a brisa nos cabelos e o cheiro da maresia. Absorver o todo, o uno. Ver mesmo de olhos fechados. E entender que mesmo não tendo capacidade para compreender tudo, devemos estar dispostos a aprender sempre, porque o mundo e a vida tem infinitas possibilidades de discernimento. Ninguém é dono da razão absoluta. Nenhum filósofo foi. Sempre houve e vão continuar existindo pensamentos novos capazes de contradizer uns aos outros. 
O livro é entremeado de perguntas que são feitas à Sofia para que ela pense sobre elas e assim resolva internamente suas próprias questões existenciais. Impossível não se colocar no lugar de Sofia, entrar na estória e voltar no tempo até os primórdios do pensamento filosófico. 

É isto, basicamente o livro ensina a pensar por si mesmo. Existe coisa mais fascinante para  aprender? 
Esta pergunta, deixo para quem me lê agora, pois eu já sei a resposta. A minha resposta. ;)

Desperte.
Acordar é muito pouco.

[ Dulce Miller ]




O Mundo de Sofia
Publicado em: 1991
Autor: Jostein Gaarder
Gêneros: Romance filosófico, Ficção especulativa
Leia mais aqui


Confesso que vivi...


...Tudo o que você quiser, sim senhor, mas são as palavras que cantam, que sobem e descem... Prosterno-me diante delas... Amo--as, abraço-as, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que glutonamente se amontoam, se espreitam, até que de súbito caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras de cores, saltam como irisados peixes, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero pô-las a todas no meu poema... Agarro-as em voo, quando andam a adejar, e caço-as, limpo-as, descasco-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então revolvo-as, agito-as, bebo-as, trago-as, trituro-as, alindo-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites no meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes das ondas... Tudo está na palavra... Uma ideia inteira altera-se porque uma palavra mudou de lugar, ou porque outra se sentou como um reizinho dentro de uma frase que não a esperava, nas que lhe obedeceu... Elas têm sombra, transparência, peso, penas, pêlos, têm de tudo quanto se lhes foi agregando de tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto serem raízes... São antiquíssimas e recentíssimas... Vivem no féretro escondido e na flor que desponta... Que bom idioma o meu, que boa língua herdámos dos torvos conquistadores... Andavam a passo largo pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, em busca de batatas, chouriços, feijões, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele voraz apetite que nunca mais se viu no mundo... Tudo engoliam, juntamente com as religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que traziam nas grandes bolsas... Por onde passavam ficava arrasada a terra... Mas aos bárbaros caíam das-botas, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que ficaram aqui, resplandecentes... o idioma. Ficámos a perder... Ficámos a ganhar... Levaram o ouro e deixaram-nos o ouro... Levaram tudo e deixaram-nos tudo... Deixaram-nos as palavras. 

| Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi" |


A culpa é das estrelas?


"A depressão não é um efeito secundário do cancro. A depressão é um efeito secundário de se estar a morrer. E na realidade quase tudo o é."

É praticamente nesta dura, mas real, linha de pensamento que se inicia a leitura de "A culpa é das estrelas". Toda a narrativa deste romance, envolve Hazel Grace, adolescente com cancro em estado terminal, e Augustus Watters, também ele adolescente e aparente sobrevivente de um osteosarcoma. O destino acabou por os unir, apesar da consciência de doença que ambos conheciam como ninguém e que ainda assim se 'auto.permitiram' a amar. John Green, faz nesta obra, uma abordagem a um tema bastante pesado colocando aqui e além de forma inteligente, subtil e perspicaz a cor do amor e certas tonalidades de humor muito próprio. Não se trata de um livro bipolar, com apenas momentos de alegria e tristeza... Trata.se de um drama, com traços de romance, que envolvem emoções, sentimentos, esperança, negação, morte, amor, vida, e que o torna de certa forma especial e diferente. Na minha opinião toda a estrutura da linguagem e encadeamento da história estão propositadamente preparados para não permitirem que o leitor esqueça o que a doença não vacila em tempo algum...a presença da dor. 

"Pior que um adolescente canceroso. Só mesmo ser os pais desse adolescente canceroso." 

Eis o retrato de uma dor crua e fechada. Pois não interessa magoar ainda mais quem está fora dela, sendo que o que mais importa deixa de ser a dor em si, para proteger quem de alguma forma quer entrar.

"Passei a maior parte da minha vida tentando não chorar à frente das pessoas que me amavam. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si mesmo que se eles o virem a chorar, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais que Uma Tristeza na vida deles. Você não deve se transformar numa mera tristeza, então não vai chorar, e você diz tudo isso para si mesmo enquanto olha para o teto. Aí engole em seco, mesmo que sua garganta não queira, olha para a pessoa que ama você e sorri." 

Na minha opinião é mesmo isso que confere uma certa grandiosidade aos momentos de alegria vividos pelas personagens principais desta obra e que traduzem no fundo os instantes/momentos que são tudo aquilo que verdadeiramente fica e permanece.

"Enquanto ele lia, eu apaixonava.me do mesmo modo que uma pessoa adormece: primeiro devagar, e depois completamente e de repente."

Penso que seja esta a mensagem deste livro: Ficam espaços preenchidos que muito provavelmente, e de qualquer outra forma, jamais o teriam sido.


Da semana que passou, as surpresas, as cores, as dores e as certezas.

O filme (que eu não canso de ver)





"Se era amor? Não era. Era outra coisa. Restou uma dor profunda, mas poética. Estou cega, ou quase isso: tenho uma visão embaraçada do que aconteceu. É algo que estimula minha autocomiseração. Uma inexistência que machucava, mas ninguém morreu. É um velório sem defunto. Eu era daquele homem, ele era meu, e não era amor, então era o que? 
Dizem que as pessoas se apaixonam pela sensação de estar amando, e não pelo amado. É uma possibilidade. Eu estava feliz, eu estava no compasso dos dias e dos fatos. Eu estava plena e estava convicta. Estava tranqüila e estava sem planos. Estava bem sintonizada. E de uma dia para o outro estava sozinha, estava antiga, escrava, pequena. Parece o final de um amor, mas não era amor. Era algo recém-nascido em mim, ainda não batizado. E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde num dia de sol. Foi como se a praia ficasse vazia. Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro. Foi como estar isolada num país asiático, onde ninguém fala sua língua, onde ninguém o enxerga. Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento. Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responder às minhas próprias perguntas. Eu tenho que ser serena para aplacar minha própria demência. E tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto. 
Se não era amor, Lopes, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar com o solo. Eu bati a 200Km/h e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? 
Eu nunca amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travessos. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor."[Martha Medeiros - Divã]

"Sim, todo amor é sagrado."
(Beto Guedes - Amor de Índio)
Clica na imagem, vai lá e confere!
A grata surpresa no Facebook -  Traço do Arquiteto


A frase
Se você soubesse o que representa pra mim não me dava o silêncio como resposta. Mesmo que eu saiba que o que represento para você lhe emudece.
[ Lenine ]

A música



Sentimental - Los Hermanos

O quanto eu te falei?
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar

De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais...

"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
Ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa...
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.


A imagem que se fez mensagem




Ostras felizes, criam pérolas raras!

"Feche seus olhos e abra seu coração" =  Leia  e escreva com os olhos da alma!

"A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: “Preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas…“Ostras felizes não fazem pérolas”… Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída… Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade."


Escrever, conforme a Wikipédia: Escrita ou grafia consiste na utilização de sinais (símbolos) para exprimir as ideias humanas. A grafia é uma tecnologia de comunicação, historicamente criada e desenvolvida na sociedade humana, e basicamente consiste em registrar marcas em um suporte.

Desde criança, eu tento escrever porque gosto, parece simples, mas não é. Quem pode dizer que é feliz o tempo todo, a ponto de não ser capaz de escrever algo que venha das profundezas da sua alma? Eu entendo perfeitamente Rubem Alves usando a ostra como exemplo. Nas fases mais criativas da minha vida, eu estava literalmente com os pés na lama, pedindo socorro com a ponta dos dedos no teclado do computador, com um bloco de notas acompanhado de caneta ou até escrevendo no celular, em qualquer hora, em todo lugar. 

O ato de escrever tristezas sempre foi uma salvação, um desengasgar preso no peito onde vomitar palavras era mais que necessário. E então fiz pérolas embebidas pela dor. Pérolas essas, mais belas escondidas, assim não fazem reviver o sofrimento que as criou...

Ou não. Pode ajudar a quem lê. E eu sei de muitos casos (através dos comentários aqui no blog), que algumas pessoas se identificaram e até me agradeceram pelo que minha dor escrevia como que traduzindo o que ia na alma delas.

Agora, quando "a dor aparece com aquela coceira que tem o nome de curiosidade" não é difícil tentar produzir pérolas legítimas, especialmente quando a dor é 'do outro'. É quando você tem a capacidade de penetrar com sensibilidade no sentimento de um amigo ou até sobre algo que ouviu no rádio ou viu pela TV... ou de ver 'coisas' enquanto anda pelas ruas, situações que aguçam seu lado investigativo, se é que posso chamar assim. É como uma câmera fotográfica na memória que em vez de produzir fotografia, cria estórias, registrando histórias - crônicas, contos e até livros que são pura 'ficção da realidade'.

As estórias mais bonitas que eu já li, são densas, pesadas, tão carregadas de emoção que foram capazes de me fazer abraçar o livro e chorar. Como exemplo, posso citar com louvor "Crime & Castigo" do Dostoiévski, "Cem anos de solidão" do Gabriel García Márquez, o "O evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago, o fantástico "Meu nome é vermelho" do Orhan Pamuk ... mas por outro lado, li estórias magicamente divertidas, muito engraçadas, como quando viajava lendo num ônibus e tive que guardar o livro pra não bancar a louca rindo sozinha, já que não havia ninguém sentado no banco ao lado do meu. Este fato aconteceu duas vezes - com o livro da Claudia Tajes no divertidíssimo "Dez (Quase) Amores" e com o "Concerto Para Paixão e Desatino", do quase desconhecido, mas excelente escritor, Moacir Japiassu - temos aí um exemplo de ostras felizes, que produziram pérolas raras.

Inventar estórias é como dar um drible na ostra. É fazer do ato de escrever algo que faz parte do corpo inteiro e não somente da alma.

[Dulce Miller]

imagem daqui e daqui

O Jogo do Contente



Desopilar a mente, ouvir músicas alegres, pensar em coisas boas e em momentos felizes, comer sorvete, conversar com os amigos, assistir uma comédia, ler livros, quadrinhos... sei lá! Chorar até faz bem quando dá vontade, mas o melhor é tentar qualquer coisa para espantar o fantasma da angústia. 

É assim que deve ser. A tristeza não deve ser cultivada e regada como se fosse uma plantinha. Claro, não devemos fugir ou fingir que nada acontece, mas alimentar a dor é o menos aconselhável quando enfrentamos problemas que em princípio, parecem não ter solução (é um auto-conselho, mas quem quiser pode aproveitar!)

Eu estou doente, mas estou VIVA. Anti-inflamatórios fazendo efeito e bolsa de água quente na minha fibromialgia. 

E que continue a minha alegria - porque eu sou Pollyanna, desde criancinha!

[ Dulce Miller ]

A imagem é daqui e fala sobre o livro e 'o jogo do contente' - para os que não conhecem, vale a leitura.



Do que passou, guardei.

Imagem daqui
O verso
Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz...  [ Tati Bernardi ]

O filme




A frase, que é da Erica Gaião.



A música 



O Livro

O futebol levado a riso: Lições do bobo da corte
Paguei R$ 1,00 por este livro novinho e sinceramente acho que o dono do Sebo não sabe quem é Rubem Alves... Sorte minha, que 'devorei' mais esta preciosidade escrita por ele!

Foto minha ~ Instagram 
'Com textos irreverentes e bem-humorados, Rubem Alves nos transporta do campo de futebol para o campo da reflexão, estabelecendo relações entre o esporte e os mais diversos temas: religião, política, guerra, matemática, saúde, poesia... A tônica, porém, é uma só: deixar que o riso, a leveza, a alegria invadam o campo de nossos pensamentos e de nossa vida para brincar com as possibilidades de alegorias e metáforas provocadas'.

Imagem daqui
O poema

"Já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me
falta."

[ Alice Ruiz] 



Resuminho da semana que passou.


De tudo o que ficou em mim, eu resumo assim...


...da semana que passou, o que ficou.

A música



O (re)verso.
Vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
[ Caio Fernando Abreu ]

A frase 


O Vídeo - Mia Couto




A imagem




O Livro
"Outro dia me pus a pensar que sou semelhante às mulheres da literatura de Érico Veríssimo. Aquelas que enquanto os homens se ocupavam da guerra, elas se ocupavam do tempo e do vento. Eu não tenho muitas definições a meu respeito; apenas respeito a dor de cada hora, a esperança de cada momento. E, se isso me define, então sou a dor que sabe esperar."


O Poema

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer...
[ Eugênio de Andrade ]

O Filme 


O Texto


"Eu duvido. Duvido que você não chame meu nome quando você sente falta de alguém, duvido que não sinta falta do meu carinho sempre tão sincero, falta de me contar como foi seu dia, as histórias da sua vida que sempre foram pra mim melhor do que qualquer novela. Duvido que você não me procure nas biscates que você pega por aí, sempre tão vazias. Vazias igual a sua liberdade idiota que nunca te serviu pra porra nenhuma. Talvez esse seja o nosso problema, eu sou completa demais pra sua vidinha mais ou menos. Eu sinto, eu penso, eu falo, eu te conheço, isso te assusta né? “Tô invadindo seu espaço? Desculpa.” Essa fui eu, durante todo esse tempo, me desculpando por que mesmo? Me diminui pra você ficar maior, pra você não me perceber entrando na sua vida. Se você pudesse sentir o quanto isso dói você quem iria se desculpar. Eu queria ligar pra você, e te falar sem pausas tudo que eu ensaio toda vez que você me magoa, mas nunca digo pra não te magoar, afinal você não me faz mal por mal, e talvez esse seja o pior mal que se possa fazer a alguém, tão natural. Bobagem, como se algum ensaio no mundo fosse me deixar firme depois do seu ‘alô’. Então é isso, tô te escrevendo. Sempre fui mais segura com as palavras. Tô te escrevendo pra talvez um dia te enviar, mas to escrevendo. E não é sobre você dessa vez, é sobre mim. Sobre o quanto eu sou boa, igual a mim tá difícil meu bem. Sobre como eu não preciso usar cinco centímetros de saia e um decote no umbigo pra ser mulher; Sobre como, ainda assim, só eu sei fazer de você um homem. Sobre muitas coisas, mas principalmente, sobre quantos homens eu poderia estar saindo nesse exato minuto. Não é com você, é comigo sabe? Por exemplo, EU te idealizo nesse momento como o melhor, não que você seja. Acho legal você brincar com a sorte, mas se eu fosse você não teria tanta certeza da minha posse assim. Talvez ninguém tenha te avisado ainda, então desculpa se eu vou te dar essa notícia sem te preparar antes, mas a porra do mundo não gira em torno do seu umbigo. Ficou chocado? Acontece. Só queria te dar um conselho, em nome da nossa amizade e meu carinho por você, tira uma mão da liberdade e segura um terço. Fica assim, agarrado nas duas coisas sabe? E reza, reza muito pra não aparecer ninguém que mexa comigo enquanto você fica brincando de não saber o que quer. Porque eu sou amor, e ainda que não seja o seu, essa é a minha essência. E você não deve acreditar muito nessa ideia, pelas tantas vezes que eu quase fui, mas um dia eu vou.. sempre foi assim. Mas deixa eu te contar um segredo: se eu for, eu não volto."

[ Tati Bernardi ]



Resumo poético-musical-literário da semana!

A música



A frase

Será que a distância reclama das pessoas?
[desconheço o autor]

O Filme (completo)




A imagem


O poema

Era uma vez
uma mulher que
via um futuro grandioso
para cada homem
que a tocava.
Um dia
ela se tocou

[ Alice Ruiz ]

O livro


Ficam as dicas! 

#dicas de pequenas felicidades

Um vídeo-música-poesia:


Um poema:

lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

[ Alice Ruiz ]


Um filme:



Uma frase:

"Está se sentindo vazio? Preencha esse espaço com solidariedade.Saia desse buraco. Há muita gente precisando de você." [ Gabriel Chalita ]


Uma fotografia:


Sharbat Gula, o raro momento em que se pode ver o rosto de uma mulher afegã. Tornou-se um símbolo do conflito entre afegãos e da situação dos refugiados em todo o mundo. A foto de Gula foi nomeada como a fotografia mais reconhecida da história da revista National Geografic.

Um Livro:


“Gostaria que este pequeno livro que escrevi sobre o amor, suas alegrias e tristezas, fosse um pedaço de mim. Porque, ao escrevê-lo, coloquei-me no lugar dos amantes e, pela magia da imaginação, procurei sentir o que eles sentiram: as alegrias dos amantes felizes e as tristezas dos amantes abandonados. Espero, então, que aconteça com os que o lerem aquilo que aconteceu comigo: que eles também se deixem ser possuídos pela magia da ficção e sintam, na fantasia, as emoções do amor, sem precisar senti-las na carne.”


Tourette(ando)!

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Foram dias turbulentos desde que ganhei o livro de presente do Giba e da Natália, a leitura foi lenta, porém profunda, mas finalmente consegui terminar. Numa comparação talvez um tanto absurda (quem tiver a oportunidade de ler os dois livros vai entender porque) foi mais ou menos como ler 'Crime e Castigo', romance fabuloso do escritor Fiodor Dostoievski, o qual levei nada menos que seis meses para terminar. Para ler A MALDIÇÃO DE TOURETTE, livro do Giba Carvalheira, foram dois meses. 

O livro exige concentração e dedicação, porque é tão denso (ou tenso) que chega a ser  'pesado'  em alguns capítulos. Em outros gerou em mim uma espécie de enternecimento  tão forte que em todas as vezes que Giba chorou na história do livro, eu chorei também, como se estivesse vendo um filme da vida dele através do livro. Uma história triste, uma vida inteira sofrendo com o preconceito e a ignorância de outros humanos(?). Pois é. O fato é que o livro é sobre a vida do Giba, mas faz pensar sobre a  vida de qualquer um de nós.

E me fez pensar e muito sobre a minha vida. Sobre o tempo que  perdi (talvez sem querer, ainda não cheguei a uma conclusão definitiva sobre isto) mas enfim... Eu nunca sofri de síndrome alguma, nunca sofri preconceito nenhum em relação a nada durante minha vida inteira e não fiz dela nem metade do que Giba fez, principalmente uma faculdade - o meu grande e maior sonho. Sim, Giba mesmo 'aos trancos e barrancos' fez sua vida fazer sentido, fez valer a pena todo sofrimento, de várias e mesmo que sofridas formas, ele hoje  se faz diariamente, um vencedor. 

Não vou aqui fazer spoiler do livro, não é esta a intenção. Sinceramente acho que todos que tiverem oportunidade deveriam ler, tanto jovens quanto adultos, pois o livro aborda temas muito importantes, como o alcoolismo e o uso de drogas, além da doença (desconhecida pela maioria) e do preconceito em relação à ela.

O livro também fala de amor, é o que me deixou mais  feliz depois de terminar a leitura - saber que Giba teve o privilégio e a sorte de ter em sua vida alguém que nunca o abandonou e que lhe ensinou o significado do verdadeiro amor, este tal amor que discriminação e preconceito algum podem corromper.

[ Dulce Miller ]





Agora sempre que ouço esta canção,  lembro do Giba.
Leiam o livro, tenho certeza que vão sentir o mesmo que eu!


A Maldição de Tourette



O preconceito é algo que ultrapassa as barreiras da convivência harmoniosa social. No caso específico deste livro, ele aparece numa forma de doença, a Síndrome de Gilles de la Tourette. As manifestações de tiques nervosos e cacoetes que sempre estiveram presentes na minha vida me levaram a um déficit social e, junto com toda a incompreensão da sociedade em relação ao problema, fui de forma vexatória ao encontro do abismo social, uma vez que só tive o diagnóstico da doença aos vinte e seis anos de idade. E a partir desse diagnóstico, enfrentei uma caminhada árdua de tentativas medicamentosas para poder controlar esses tiques, caso que ocorreu, somente, aos meus trinta anos. Com essa idade, desacreditado por tudo e por todos, caí diante de um novo obstáculo que foi o do alcoolismo, pois desde cedo bebi para esquecer a violência moral que sofri durante toda minha vida! E com a bebida desde a minha adolescência acompanhando a minha vida caí, com o tempo, no vertiginoso caminho das drogas.

É aí que A Maldição de Tourette pretende chegar! Chegar nesse problema neurológico e genético que se chama de Síndrome de Gilles de la Tourette, problema que acompanhou a minha vida, desde a infância, se enraizando em mim, me transformando em um corpo físico problemático e comprometido! Não é à toa que venho aos meus leitores na tentativa de contar toda a minha vida, de uma forma romanceada. Espero que sirva de exemplo para muitos atingidos por essa Síndrome, e para a outra grande maioria que não soube suportar a carga de responsabilidade que a vida impôs a nós: mestres, professores, colegas e familiares.

É preciso que se saiba que essa Síndrome me levou ao fundo do poço, me convidou desde cedo ao encontro do poder entorpecido da mente, me jogando à completa e absoluta fuga da sobriedade. Foi um caminho que escolhi diante da falta de horizontes para mim. É essa a minha tentativa de justificativa: a de compreender por que me desviei tanto da realidade! Eu sempre precisei dessa fuga, inconscientemente. Eu tentava me entorpecer, para me esquecer que possuía essa Síndrome, que durante muito tempo nem sabia que existia, que possuía um nome... 

A Maldição de Tourette tenta resgatar a auto-estima de uma vítima do preconceito, tenta mostrar que existem caminhos, por piores que sejam os problemas! A eterna luta que travamos em vida é a de conseguirmos nos estabelecer e gerar frutos em relação à nossa descendência! A minha, foi a de ter que viver com um tormento que quase me destruiu, mas que ainda estou vivo para poder contar!!! 

GIBA CARVALHEIRA - MALDIÇÃO DE TOURETTE


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Das coisas que eu gosto...


Um filme



Um livro


"O homem dos seus sonhos não cometeria a deselegância de se chamar Dejair ou usar alpargatas. Você morreria antes de pensar em ser infiel. Não passa pela sua cabeça namorar alguém que você não goste. E homem casado, nem pintado de ouro. Mais baixeza que isso, só participar de suruba.
Bem-vinda ao clube das mulheres que só estão esperando uma boa oportunidade para mandar suas teorias às favas e passar a viver a vida como ela se oferece. Maria Ana, personagem do livro de estréia da Claudia Tajes, também sonha com o príncipe encantado, mas não é fanática por contos de fadas: enquanto não pinta o homem certo, ela vai se divertindo com os errados.
Dez (quase) amores narra os en­con­tros e desencontros de uma legítima 'mulher solteira procura', papel que todas nós já pro­tagonizamos um dia. É divertidíssimo. Tem tira­das impa­gáveis. Puro entretenimento. Um livro reconfortante para quem acha que é o único ser humano do planeta que está sem programa pro sábado. Duvido que seja seu caso, mas se for, o exemplar que você tem em mãos está aí mesmo pra lhe fazer companhia".
[Martha Medeiros]

 Um poema 


A Demora

O amor nos condena: 
demoras 
mesmo quando chegas antes. 
Porque não é no tempo que eu te espero. 

Espero-te antes de haver vida 
e és tu quem faz nascer os dias. 

Quando chegas 
já não sou senão saudade 
e as flores 
tombam-me dos braços 
para dar cor ao chão em que te ergues. 

Perdido o lugar 
em que te aguardo, 
só me resta água no lábio 
para aplacar a tua sede. 

Envelhecida a palavra, 
tomo a lua por minha boca 
e a noite, já sem voz 
se vai despindo em ti. 

O teu vestido tomba 
e é uma nuvem. 
O teu corpo se deita no meu, 
um rio se vai aguando até ser mar. 

[Mia Couto, in " idades cidades divindades"]

Uma frase


Uma música




Fragmentos da mentira


" A mentira tem pernas curtas"

SIGNIFICATIVO:

Descobrem logo quando a gente mente.

HISTÓRICO:

Esta expressão nos vem de Paris. No final do século passado Henri de Toulouse-Lautrec, pintor francês, era famoso pelas histórias que contava nos bares parisienses de Pigalle, entre uma litografia e outra. Dizem as resenhas da época que mentia tão bem quanto pintava cartazes de shows. Como todos sabem, Lautrec tinha um defeito físico: pernas curtas. Você conhecia a expressão "a mentira tem pernas curtas", mas nunca ouviu falar de Henri de Toulouse-Lautrec? Então, ele está aqui. Boa leitura!


"A implosão da mentira"

Fragmento 1

Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

Fragmento 2

Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
—diária/mente.

Fragmento 3

Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.

Fragmento 4

Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.

Fragmento 5

Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.



O Mal da mentira
Referência: Dia da mentira – 01 de abril


Embora exista o dia da mentira
Mentir faz mal. Causa atritos.
Desarmonia. Intrigas.
Qualquer tipo de relação baseada
Na mentira, não é saudável.
Mentir é ruim para quem é enganado.
Mentir é ruim para quem conta a mentira.
E pior ainda: A mentira vicia. Tem gente que
Vive de mentir. Inventar. Fofocar.
O mal do mundo minha gente é a mentira.
Quem mente um pouco no início,
Acaba mentindo mais, vai aprendendo e com o passar do
Tempo vai piorando.
A pessoa que mente não é confiável. Se a criança
Percebe que o adulto está mentindo, mais
tarde ela também vai se achar no direito de
Mentir e assim a mentira vai virando uma bola de
Neve difícil ou impossível de ser controlada.
O dia da mentira só é saudável para ser levado
Na brincadeira. Porque para o dia a dia,
Bom mesmo é a verdade é ser verdadeiro, inteiro,
Transparente, sem mentiras e falsidades, olhando nos olhos porque
a mentira acaba complicando a vida.

Autor: Antonio Marcos Pires

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A diferença


Ele esteve lá.

Conta-se que um poeta estava um dia passeando ao crepúsculo em uma floresta, quando de repente surgiu diante dele uma aparição do maior dos poetas, Virgílio. Virgílio disse ao apavorado poeta que o destino estava sorrindo para ele e que ele tinha sido escolhido para conhecer os segredos do Céu e do Inferno. Por mágica Virgílio transportou-se e ao poeta, ainda apavorado com experiência tão súbita, ao velho e mítico rio que circundava o submundo.

Entraram em uma canoa e Virgílio instruiu o poeta para remar até o Inferno. Quando chegaram, o poeta estava algo surpreso por encontrar um lugar semelhante à floresta onde estavam, e não feito de fogo e enxofre nem infestado de demônios alados e criaturas nojentas exalando fogo, como ele esperava. Virgílio pegou o poeta pela mão e levou-o por uma trilha. Logo o poeta sentiu, à medida que se aproximava de uma barreira de rochas e arbustos, o cheiro de um delicioso ensopado. Junto com o cheiro, entretanto, vinham misteriosos sons de lamentações e ranger de dentes. Ao contornar as rochas, depararam-se com uma cena incomum. Havia uma grande clareira com muitas mesas grandes e redondas. No meio de cada mesa havia uma enorme panela contendo o ensopado cujo cheiro o poeta havia sentido, e cada mesa estava cercada de pessoas definhadas e obviamente famintas. Cada pessoa segurava uma colher com a qual tentava comer o ensopado. Devido ao tamanho da mesa, entretanto, e por serem as colheres compridas de forma a alcançar a panela no centro, o cabo das colheres era duas vezes mais comprido do que os braços das pessoas que as usavam. Isto tornava impossível para qualquer uma daquelas pessoas famintas colocar a comida na boca.

Havia muita luta e imprecações enquanto cada pessoa tentava desesperadamente pegar pelo menos uma gota do ensopado. O poeta ficou muito abalado com a terrível cena, até que tampou os olhos e suplicou a Virgílio que o tirasse dali. Em um momento eles estavam de volta à canoa e Virgílio mostrou ao poeta como chegar até o Céu. Quando chegaram, o poeta surpreendeu-se novamente ao ver uma cena que não correspondia às suas expectativas. Aquele lugar era quase exatamente igual ao que eles tinham acabado de sair. Não havia grandes portões de pérolas nem bandos de anjos a cantar. Novamente Virgílio conduziu-o por uma trilha onde um cheiro de comida vinha de trás de uma barreira de rochas e arbustos.

Desta vez, entretanto, eles ouviram cantos e risadas quando se aproximaram. Ao contornarem a barreira, o poeta ficou muito surpreso de encontrar um quadro idêntico ao que eles tinham acabado de deixar; grandes mesas cercadas por pessoas com colheres de cabos desproporcionais e uma grande panela de ensopado no centro de cada mesa. A única e essencial diferença entre aquele grupo de pessoas e o que eles tinham acabado de deixar, era que as pessoas neste grupo estavam usando suas colheres para alimentar uns aos outros.
Robert B. Dilts e outros No livro Neuro-Linguistic Programming Vol. I (Meta Publications). Tradução: Virgílio Vasconcelos Vilela

Pastoreando mágoas...


"Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia. Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve para nada."

"É claro que o incidente lhes deu a oportunidade de evocar outros arrufos minúsculos de outras tantas manhãs perturbadas. Uns ressentimentos mexeram em outros, reabriram cicatrizem antigas, transformaram-na em feridas novas, e ambos se assustaram com a comprovação desoladora de que em tantos anos de luta conjugal não tinham feito mais do que pastorear rancores."

"Mesmo quando já velhos e apaziguados, evitavam evocá-la, porque as feridas mal cicatrizadas voltavam a sangrar como se fosse de ontem."

[Trechos do livro "O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez]


É muito triste passar a vida inteira “pastoreando” mágoas ao lado de uma pessoa. O livro é simplesmente uma obra-prima e adorei o filme (que tem o único defeito de ser falado em inglês, tendo sido filmado na Colômbia), é fiel ao livro e muito bem feito. Houve quem saísse feliz do cinema dizendo "finalmente ele conseguiu, depois de 50 anos"... e eu frustrada justamente por isto, "uma vida inteira desperdiçada" - eu pensava, e chorava! Lembro que me senti exatamente da mesma forma quando terminei o livro.

[Fernanda Montenegro está muito bem no filme!]
Florentino sofre de amor. O sentimento puro que arranca mais pedaços do que a guerra ou a epidemia de cólera que tanto matavam no mundo real. O tempo passa, as conjunturas se modificam, mas o amor permanece. E machuca. O filme “O amor nos tempos do cólera” é a prova de que até a história mais piegas pode ser transformada no sentimento mais tocante nas mãos de um grande escritor ou de um grande diretor. Existe algo mais clichê do que falar de amor?


Eu não me vejo numa situação assim. Então eu vou tentando, acertando um pouco aqui, errando outro tanto ali, mas em paz com meus sentimentos e aprendendo a ser mais humana. Prefiro várias tentativas frustradas a um único amor de ilusão.

É uma obra que merece ser vista, ou lida, e apreciada. 

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