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(su)jeitos da esperança(mor)


Angela Regina: 'Só estou tentando, mas sei que posso e podemos juntos...'

Meus pais acharam bonito o nome Angela Regina. Sempre me preocupou o significado: soa bem pretensioso. Mas alguém falou que nome é coisa séria, então procuro ser uma pessoa que busca (na maioria das vezes desajeitadamente) o bom, o belo e o justo. Ao me formar psicóloga, direcionei a vida para estar constantemente em contato com o sofrimento humano, sua busca de amar, amar-se e ser amado. Esse fato, com o passar dos anos, acabou levando-me a reflexões que transformaram minha visão de mundo profundamente.
Em uma de minhas reflexões entendi que meu trabalho poderia ser descrito como “esperançóloga” ou algo assim porque esperança é uma palavra que ganha significado e força em situações extremas, basta você ficar em uma situação difícil para sentir o quanto ter esperança passa a estar no topo da lista de importância na sua vida.
Mas o que é a esperança?
Acho que ela pode ser explicada como um “eu espero”, Uma percepção de que há um horizonte à frente somente visível após o estabelecimento (ou reestabelecimento) de um sentimento de confiança na vida e nas pessoas.
Portanto, para existir a esperança, precisamos experiênciar um encontro verdadeiro, onde o “Eu” busca tornar-se “um-eu-com-o-outro” através da relação de confiança. Mas todo cuidado é pouco, as pessoas geralmente confundem uma relação de troca com uma relação de espoliação, de um “eu” cindido e incompleto que busca desesperadamente sua completude no outro o que leva, invariavelmente, a que tudo termine de forma frustrante e gerando mais desesperança. A fragmentação faz acreditar que, para que o “eu” seja coeso, é preciso que o outro assimile meu pensamento numa simbiose que pouco se parece com comunhão e muito com uma guerra de poder. A fragmentação nos induz a separar o mundo entre sujeito/objeto, eu/não eu. A fragmentação leva a mais fragmentação e nunca a completude.
A alteridade só existe no trasbordamento do eu para o outro, numa diferenciação madura. “alter” é um prefixo em latim que significa “outro” e é nessa relação de diferença existencial com o outro que nos impele sair de uma situação “confortavelmente acabada” para um movimento complexo de interdependência e evolução. A alteridade vê a diferença e encontra a comunhão dentro dela, não há mais uma preocupação para que o outro seja eu. Na tentativa de encontrar a “alma gêmea” matamos o outro na busca de nós mesmos. Mas quando a relação acontece entre sujeito/sujeito, a necessidade de poder sobre o outro se transforma em cuidado e é estabelecida uma relação de complementaridade onde o outro pode estar inteiro assim como você.
A alteridade é a beleza da comunhão com a inteireza do outro. É o crescimento na diferença. Só o Amor sentido como transcendência pode restituir ao outro sua integridade. Só podemos amar o outro como “outro” quando amamos “a diferença” que é o outro. Só privilegiando a diferença com o máximo respeito podemos permitir ao outro sua integridade e liberdade.
A esperança é resultado direto da nossa experiência amorosa, portanto precisa de vulnerabilidade emocional e coragem. Precisamos acreditar que o outro pode nos oferecer algo e que podemos retribuir de alguma forma. Por isso, sentimos esperança quando um amigo nos apoia ou quando vemos um gesto de solidariedade improvável.


Geraldo  
A esperança é muito mais que uma aspiração de felicidade/superação de problemas. Pressupõe descobrir os horizontes visando entender mais a nós mesmos e o mundo que nos cerca. Algo bem mais difícil e profundo, pois corresponde ao sentido da vida, ou seja, sem ela viver não tem sentido. A conexão que faz do “ego” e o “alter ”, na perspectiva do ser amoroso, mostra que autêntica esperança não pode ser individual e nem apoiada em ilusões. Esperança é mesmo algo muito forte. Daí o provérbio, “a esperança é a última que morre”... por isso, os esperançosos, dada a conexão mente/corpo, têm melhores condições de vencer a dor, as doenças e os sofrimentos...


Só atingimos o encontro profundo conosco quando vamos além de nós mesmos...
Eis o grande paradoxo da vida...

O Diário da borboleta


Oi Gente! 

Quem vos fala é Izabel Brum. Gosto que me chamem de Iza. Sou uma pessoa que adora brincar, mas só quando conheço a pessoa. Se não conheço fico extremamente tímida. Mas se tenho que falar em público sou bem extrovertida.

Não, não estou tomando conta do blog da Moça. Foi ela quem me convidou e eu estou adorando me ver aqui.

Quando a Du me convidou para escrever no blog dela, primeiro gelei; depois fiquei é toda contente. Seria a primeira vez a escrever em um blog de uma moça que tanto adoro. 

Como podem ver não sou escritora e nem poetisa como a Du, mas sou uma admiradora ferrenha desse tipo de escrita. Tanto é que não perco nenhuma postagem onde a Du está escrevendo sobre ela, seus poemas e seus contos.

E não é só porque a Du é minha amiga, é porque ela tem o talento de transformar em arte tudo aquilo que ela faz.

Ainda não a conheço pessoalmente, mas penso que ela tem em comum comigo a capacidade de ler a alma de quem está escrevendo e se conhecermos antes a alma de quem escreve conheceremos a pessoa em maior profundidade. 

Bom, na conversa que tivemos, ela me pediu para escrever dizendo por que escrevo. 

Eu tenho um blog feito para compartilhar a forma como vejo o mundo em que vivo. Quando eu decidi compartilhar minhas idéias online eu estava numa depressão das mais horrorosas, daquelas que só compreende quem passou pela mesma situação. 

Como sou de guardar o que sinto escrever ali me salvou.

Tanto é que se vocês forem ver hoje encontrarão uma pessoa totalmente livre, tanto da depressão inicial quanto dos remédios para a mesma. 

Chega de deprê... XÔ... Sai de mim... Vá de retro... Kkk


Para escrever não uso nada mais do que sentar e ir digitando como se estivesse conversando com alguém do meu lado. Fica bem mais fácil para quem não tem a escrita como arte. 

Olha, vou te contar: escrever online foi o que me salvou e continua sendo fundamental para mim.

Blogar, para mim, é como antigamente quando ainda escrevíamos cartas. Blogar é como escrever cartas abertas para quem quiser ler.

E para finalizar esta cartinha que deixo aqui no blog da Du, para os leitores dela; só tenho a agradecer a Moça do Sonho. 

Agradecer por todo esse tempo que estamos juntas online e pela oportunidade de vir rabiscar aqui para os leitores dela. 

Ah, gente... To me sentindo... Me deixa tá... Kkk


[ Izabel Brum escreve no Barbolisa, lá você terá oportunidade de conhecer praticamente tudo sobre o que ela pensa e sente sobre a vida -  vale conferir! ]
Iza, te admiro muito. Por tua força, coragem e sinceridade. Ter tua amizade é um privilégio pra mim. Por tudo isso e principalmente porque sempre esteve ao meu lado (apesar da distância física), te amo!
 Du



Nossa sina é se ensinar...




Educar-se é impregnar de sentido cada momento da vida, 
cada ato cotidiano. 
(Paulo Freire)


Nossa sina é se ensinar... *

Sou gaúcha, nasci na fronteira, em Santana do Livramento (ali quase caindo pro Uruguai). Convivi com duas culturas, dois idiomas, duas moedas, dois estilos de vida. Acredito que isso desenvolveu uma certa flexibilidade na forma de ver a vida. Hoje moro em Santa Cruz do Sul. Ser funcionária pública não era projeto, muito menos sonho, mas aconteceu. Desde minha posse tive altos e baixos com minha profissão. Vivemos, ela e eu, numa DR constante. Trabalho na área da educação (talvez isso explique os altos e baixos); e hoje, mais especificamente, num setor que trata da parte tecnológica da região onde atuo. Tenho viajado bastante nessa função.

No serviço público é comum que o provisório vire permanente, assim como o que se tem por certo mude do dia pra noite; nada é fixo. É uma característica que ainda não sei bem se gosto ou desgosto. Tenho um cargo e uma função por direito, pois fiz concurso, mas de fato, como sou muito curiosa e gosto de aprender, acabo sendo “multitarefa”. Já passei por diversos setores. Nesses quase 19 anos desempenhei minhas funções em duas coordenadorias de educação, três escolas e uma universidade (a qual vi nascer e foi um período de grande aprendizado e alegrias). Tive chefes de direita e de esquerda e aprendi que só mudam as moscas... Eles passam e a gente fica. Fiz vários amigos por onde passei. Conheci pessoas que me ajudaram muito no meu desenvolvimento profissional e também pessoal.

Estou aprendendo a desenvolver a paciência acima de tudo, pois atendimento ao público e burocracia são dose pra leão. Por vezes, ainda me revolto com o sistema (algumas coisas são muito difíceis de aceitar). Esse ofício é um processo de autoeducação que nunca termina. Nesse meio fiz muitas leituras do que vivi e experimentei. Comecei e terminei uma graduação, perdi colegas pra doenças, acompanhei o crescimento de crianças, de jovens e adultos, ouvi e presenciei histórias de vida, passei por uma separação, mudei de cidade, fiz uma especialização. Impressionante o tanto de coisa que cabe em quase duas décadas! Quantas vidas cruzaram minha vida... Vi muitos exemplos a seguir e também a não seguir. Vi muita coisa que não gostaria de ter visto e me entristeci; convivi com todo tipo de caráter, mas também tive alegrias.

Nunca imaginei que aquela tarde de verão que passei torrando no sol, numa fila gigantesca, para fazer inscrição num concurso público iria me agregar tanto. Das amizades com profissionais das mais variadas áreas fui educando o olhar, o ouvido e o espírito. Foi por uma necessidade profissional que fiz meu primeiro blog. Demorou um pouco até que eu tivesse coragem de começar a me expor. Ler é uma forma de viajar. Escrever é uma forma de libertar os pensamentos. Uma coisa foi puxando outra e eu mergulhei no mundo virtual. Nele compartilho minhas descobertas; dele bebo das descobertas dos outros. Tornou-se um hábito (bom).

Se, como diz o saudoso Gonzaguinha, “toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas” **, penso que tudo aconteceu da forma que tinha que acontecer. Mesmo que este caminho seja sinuoso, tento tirar o maior proveito de tudo que se apresenta. Nada é estático, sempre tem alguém diferente na minha frente procurando auxílio e com uma história diferente na bagagem. Algumas viram inspiração. Escrevendo vou trabalhando os sentimentos que me despertam. Tive muitos “professores” e muitos ainda virão.

* Verso da música Sina nossa, do O Teatro Mágico 
** Trecho da música Caminhos do coração, do Gonzaguinha

[Georgia Stella Ramos do Amaral] 



O sonho da Menina



A moça do Sonho e o sonho da Menina 

[por Antonia Lima]


Ao dormir, adentrei no sonho da moça que, naquela oportunidade, desejava conhecer o sonho de uma menina que gostava de escrever. Pisamos num chão vermelho, sua terra natal, antes Vila Bela, hoje uma bela duma Serra Talhada por Deus às margens do Rio Pajeú, o mesmo rio que o Luiz Gonzaga canta em Riacho do Navio. E a encontramos. Filha de comerciantes de tecidos, esta menina passou sua infância numa cidadezinha chamada Betânia, cujo padroeiro era Santo Antonio, o mesmo do dia 13 de junho, data em que ela nasceu! Por isso, o nome: Antonia! 

Cedo, foi alfabetizada; e decidiu que seria ou professora ou advogada. Mas as dificuldades eram muitas, pois ali só se estudava até a 4ª série e havia um único Grupo Escolar. As luzes, ainda, não eram acesas através da energia elétrica. Não havia sinal de TV. Nem linha telefônica. À noite, depois que desligavam o motor/gerador, era à luz de velas, candeeiro ou chaminé que esta menina lia. As novelas, ela as ouvia pelo rádio; a revista proibida na sua tenra idade era a Capricho (porque tinha fotonovela e beijos). Sempre inquieta e ansiosa, era uma criança curiosa em termos de estudos. Queria sempre mais do que a escola oferecia. Não lembra quando começou a escrever. Deduzimos que logo que aprendeu a ler, já fazia bilhetes/cartas para a sua mãe, seus tios; escrevia em seu pequeno diário e carregava na dramaticidade..Enquanto sua mãe recitava “A Lira dos Oito Anos” de Casimiro de Abreu, ela já havia decorado “O Bicho” de Manuel Bandeira. 

Embalada no sonho da moça, lembrou que aos dez anos de idade foi morar em Arcoverde pois precisava de uma cidade maior para continuar os estudos. E a família mais uma vez se retira para buscar “um futuro” para a filha primeira. Ação comum entre os nordestinos, essa de se “arretirar” para um outro lugar que eles pensam ser melhor! A cidade escolhida foi a chamada porta do Sertão, Arcoverde, assim denominada porque terra do primeiro Cardeal da América Latina. Lá, essa menina cresceu. Perguntamos o que de curioso ela tinha para citar desta época.

“Uma tarde, meu pai foi chamado à Biblioteca do SESC da cidade para autorizar o empréstimo de “Crime e Castigo” de Dostoiésvisk e “Mme Bovary” de Flaubert. À noite, não o deixei dormir com medo da velha assassinada. Também fiquei enjoada com a cena de envenenamento da Emma Bovary.” 

Tinha 15 anos de idade quando ganhou a coleção de Os Melhores da Literatura Brasileira e os 50 melhores da Literatura Universal, lembra ela. Enquanto suas amigas liam livrinhos de bolso e colecionavam a Revista Intervalo, da Jovem Guarda, ela devorava livros! Achou pouco, e começou lendo Os Pensadores... Pensava que seria advogada mas não havia lá, ainda, Faculdade de Direito. Começou a lecionar muito cedo, ainda estudante do Curso de Magistério. E outra disciplina não poderia ser: Língua Portuguesa! Fez Letras/ Licenciatura Plena, em Caruaru/ PE. “Faria de novo, diz ela, de tão encantador que este curso é.” 

E sua primeira turma de alunos foi formada por 40 comerciantes, colegas do seu pai que queriam fazer o Curso Supletivo no mesmo SESC, onde um dia foi repreendida por ler “cedo demais” o que não devia. Ela, com 17 anos, e eles (seus alunos) já bem mais amadurecidos. Enfrentou, perdeu o medo de ensinar a adultos! Aliás, nunca teve a oportunidade de ensinar às crianças porque ao ser contratada pelo o Estado, posteriormente, já começou como Professora de adolescentes do segundo grau. Casou e continuou a trabalhar. Ainda em Arcoverde, paralelo às atividades profissionais, participou de peças teatrais como atriz, diretora de peças e fazendo adaptações de romances para o teatro. Conta ela: 

“ Fui a Mulher do Padeiro em “ O Auto da Compadecida” (de Ariano Suassuna); a Nancy de “ Deus lhe Pague” (de Joracy Camargo); adaptei o livro O ABC de Castro Alves (de Jorge Amado) em peça de teatro e encenei com meus alunos. Transformava minhas aulas de Literatura em espetáculos; exagerava em contar biografias dos Escritores de todas as Escolas Literárias. E narrava as obras, analisava os personagens com um propósito de promover a leitura e a escrita”. E continua: “ao colocar meus filhos para dormirem, contava estas biografias como dramas. Ensaiava minhas aulas nessas horas. Eles aprenderam muito cedo as vidas (e mortes) dos escritores. E os resumos das obras, também. Ao mesmo tempo, enquanto ouvíamos uma sinfonia de Beethoven, eu contava a triste história dele, de sua surdez, para causar mais drama...e eles prestarem a atenção; contava toda a vida do músico. Conversava sobre várias vidas e obras dos escritores românticos da fase pessimista. Sobre a tuberculose que era o mal do século, sobre a luta pelos negros escravos de Castro Alves e de Tobias Barreto. Mas não ficava só por aí...quando falava sobre o Machado para dá ênfase até onde ele chegou (Fundou e presidiu a Academia Brasileira de Letras), eu falava que ele era mulato, muito pobre, epiléptico...e trabalhava numa tipografia..e, assim, eu já entrava no Realismo Brasileiro, outra Escola Literária; carregava minha prosa com tintas fortes...Assim discorria sobre a vida do Manuel Bandeira, do Graciliano, do João Cabral, entre outros. Meus filhos eram meus primeiros ouvintes, coitados! (Ou não!...) Nesta época, eu já lecionava em duas Faculdades. Claro que (em casa), eu mesclava com Literatura Infantil...e eles ouviam e cantavam os poemas de Vinícius daquele projeto “A Arca de Noé”...Liam infantis como “Ou Isto ou Aquilo” de Cecília, “Chapeuzinho Amarelo”, do Chico, etc,”. 

E A moça do Sonho pergunta como dava conta da escrita. E ela continua: “ Quando minha filha mais velha nasceu, depois de uma gravidez complicada, escrevi uma crônica ‘Pequenina Flor de Maio!’ Fui chamada para ler numa rádio local...foi uma comoção! Aí, não mais parei. Comecei a escrever para o Jornal da Cidade e ganhei um espaço na programação da Rádio local para redigir e apresentar ‘Palavras em Canto’! Paralela às minhas atividades nas escolas e, posteriormente, na Delegacia Regional de Ensino de Arcoverde, fui convidada para a Equipe Central da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco! Vim para Recife. Neste percorrer, fiquei à disposição da Secretaria do Trabalho e Ação Social e conheci melhor este mundo Trabalho x Emprego x Renda e as suas Relações Sociais. Também, durante quatro anos, coordenei projetos na Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania. É inesquecível. Educação, Trabalho e Justiça! Só que, sem a primeira, a Educação, não haverá nem trabalho nem justiça. Nada seremos!” 

E o sonho de ser advogada? – perguntamos. E ela completou: “Mais adulta e mais amadurecida, já com filhos mais crescidos, realizei meu antigo sonho ao cursar Direito. Mas nunca deixei de ensinar, pois esse exercício me faz aprender e apreender. Acho que meus cursos se completam e me completam. O que é peticionar, reclamar, apelar, agravar, embargar, recorrer? São verbos que indicam a ação de escrever. Não sei o que seria de mim sem meus livros, meus filmes, minhas músicas, meus apontamentos. Mas sei que não viveria sem escrever e sem a palavra escrita! Claro que aqui falo de uma paixão! Família, ah, família é sagrado!

Manejar a palavra é manejar meu pão de cada dia. Escrever é um ato e um fato. É encantamento, é alimento, é prece, é vício, é remédio, é cura! Eu me afogo e desafogo, inspiro e expiro a arte maior com todos os seus símbolos, significantes e significados! Li outro dia que “sem advogado não há Justiça”. Eu diria que “sem professor não há advogado”. E acrescentaria: “sem a leitura e a escrita não há direito nem cidadania”!

E a moça do Sonho ao ouvir a realização do sonho da Menina foi em busca de outros sonhos. 

E eu, que tinha adentrado no sonho de A moça do Sonho, acordei.

Escrever este sonho me era uma urgência!

Imagem daqui


Antonia Lima é pernambucana da cidade do sertão do Pajeú, Serra Talhada. Menina, ainda, já demonstrava o amor pelas artes, especialmente, pela Literatura. Fez Magistério no Colégio Imaculada Conceição de Arcoverde-PE. Em 1975 concluiu o Curso de Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru-PE, onde também fez Pedagogia. Pós graduada em Língua Portuguesa pela UFPE e em Língua Portuguesa/Redação pela PUC/MG. Bacharel em Direito pela Faculdade Damas de Instrução Cristã. Professora de Língua Portuguesa, Linguística e Literatura. Produtora de textos e profissional liberal.Revisora de textos/ Redações de Pós graduação e de Mestrado.

A poesia da medicina


Hoje vamos começar uma série de gotas autobiográficas, mulheres maravilhosas que fazem da sua profissão a poesia de viver. Elas irão descrever o modo como convivem com a profissão escolhida, além da paixão pela escrita. Começamos hoje com uma amiga com a qual tenho o privilégio de conviver por mais de 10 anos. Ela tem textos lindos publicados neste blog (para aqueles que ainda não leram, é só clicar aqui) e também é colaboradora e escritora no site Assédio Moral no Trabalho.

Com vocês, Cármen Quadros!



Minha paixão pelas letras remonta aos meus 10-11 anos de idade, quando descobri que escrever era uma forma de expressar dor e alegria, amor e a solidão. Essa descoberta auxiliou na transição da adolescência, possibilitando uma fase de muita criatividade poética. Aos 16 anos já publicava poemas no Jornal Correio do Sul de Bagé (RS), minha terra natal. Também produzi um livreto com meus poemas, intitulado Um Toque de Amor em 1975.

Diante da necessidade de escolher uma profissão estive em dúvida entre a Comunicação Social e a Medicina, e acabei optando pela complexa arte de cuidar da saúde das pessoas.
Estudei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, onde me formei em 1983. Fiz especialização em Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar em São Paulo e Auditoria Médica em Porto Alegre onde resido e trabalho desde 2000.

Ser médica é uma experiência das mais ricas em se tratando de autoconhecimento e de amor e solidariedade ao próximo. É um aprendizado constante das diversas manifestações da vida, das ameaças que a rondam permanentemente. É uma necessidade constante de busca pelo conhecimento técnico, é também o exercício diário do entendimento da nossa impotência diante dos mistérios da existência. É estar disponível para acolher, compreender e respeitar a dor das pessoas. É manter acesa a chama da vida através da esperança e fé mesmo que todos os recursos técnicos sejam contrários a essa premissa. É a prática permanente da ética.

Exercer a medicina exige compaixão e aceitação dos limites do humano.
Por muitos anos, venho escrevendo, mas com pouca regularidade. Sem planos ou compromissos a não ser com os meus sentimentos. Passei a escrever regularmente desde o inicio deste ano. Foi a forma encontrada para dar vazão aos sentimentos mais profundos e compartilhar o encanto que tenho pela vida. 

Escrever também é uma maneira de permanecer presente e vivo na memória dos outros, o que compensaria de certa maneira a imensa impotência diante da morte.

Finalizo agradecendo a Moça do Sonho pela oportunidade e cumprimentando-a pela iniciativa.

Cármen Quadros
21/10/2012