Amor é bicho instruído*
Quantas vezes ouvimos e falamos: Meu Deus como sofri! Nunca mais! Aprendi umas lições agora! Mas...basta um “não sei o que”, um “num sei quem”, de uma “não sei de que maneira”... e lá vamos nós de novo: Voltamos a acreditar em tudo! Voltamos a acreditar no Amor!
Isso não acontece por acaso, ou porque somos tolos, ou porque queremos; acontece porque amar é a condição natural da vida! A terra e o ar amam as flores; tudo se relaciona de forma amorosa neste planeta: as árvores crescem e algumas chegam quase aos céus como as sequoias, porque suas raízes foram acolhidas e alimentadas pelo amor da terra.
Não importa o quanto seja arriscado manter a nossa vulnerabilidade ao amor, só podemos ser felizes nela. Sim, existem pessoas que se fecharam, se isolaram e se tornaram amargas. Mas não queremos isso, não é verdade? Sabemos que ao agirmos assim temos a sensação de quase morte, aprisionamento e sabemos também, dentro de nossa alma, que vida e a liberdade são os princípios básicos da felicidade.
Acreditamos no amor porque existe um lugar dentro dele que (re)conhecemos intuitivamente, mesmo que não o tenhamos vivido... ainda... Sim, o amor exige coragem, não é coisa para covardes. A etimologia da palavra coragem é: agir com o coração então, é melhor arriscar de novo, acreditar de novo e se colocar vivo novamente.
Finalizo com Drummond e o verso final de seu poema: "O amor bate na aorta"
"Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado...
Mas também vejo outras coisas:
Vejo beijos que se beijam,
Ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas,
que não ouso compreender..."
Texto de Angela Regina - Psicoterapeuta
*Título do post de Carlos Drummond de Andrade


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[Dulce Miller]
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