Por que você não experimenta?
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza-Ceará, em 17 de novembro de 1910 e faleceu no Rio de Janeiro em 4 de novembro de 2003. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 4 de agosto de 1977 e recebida em 4 de novembro de 1977 pelo acadêmico Adonias Filho.
Telha de Vidro
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha…
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô…
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha…
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro…
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade…
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia…
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa…
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão…
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida…
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
[Por Rachel de Queiroz]
Por vários motivos, me identifiquei muito com esta poesia!


Obrigada pela visita! Bjoo e um finalzinho de semana bem gostosa pra vc!
ResponderExcluirDu,
ResponderExcluirQue belo poema da Rachel! Uma historieta tão linda!
E bastou uma telha de vidro para iluminar um lugar antes considerado feio...
Eu tb gostei mto dessa telha de vidro, pq será?
Vc leu O Quinze? Belo livro!
bjo
Concordo com Rachel de Queiroz e sou fã dela...
ResponderExcluirMas pessoas como você não precisam de telhas de vidro, Du! Você já é, mais do que pensa, uma telha para si mesma e para os que vivem ao seu redor!
Uma pessoa sutil, doce e iluminada...
Beijos, com carinho!